As 3 Ameaças à Economia Mundial gerar PDF versão para impressão enviar por e-mail

Robert J. Shiller

Professor de Economia da Yale University, Graduado em Administração pela University of Michigan e PhD em Economia pelo Massachusetts Institute of Technology. Escritor do livro “Exuberância Irracional” (Makron Books).

(Em março de 2000, alertava para a bolha no mercado acionário americano e, no mês seguinte, a bolha estourou).

 

Schiller identifica três grandes ameaças ao momento da economia mundial.

  • Movimento especulativo em bolsas de países emergentes
  • Superaquecimento do mercado imobiliário em várias partes do mundo
  • Alta dos preços do petróleo 

 

“Nos EUA Temos um mercado acionário e um mercado imobiliário exuberante, com a possibilidade de que os dois caiam juntos, o que levaria a uma recessão mundial”.

 

Bolsa Americana

Em termos de valorização, a bolsa americana está bastante alta, mas é difícil julgar hoje. Acho que o mercado não está tão exuberante quanto na década de 90, quando a relação preço-lucro era extremamente alta. Os últimos cinco anos registraram o maior crescimento de lucros da história do mercado acionário americano, mas os investidores não reagiram de forma extremada como fizeram no fim da década de 90.

 

Bolsa da China

Na China, a relação preço-lucro é muito maior. Está passando por uma fase de especulação imensa. Além disso, o governo apesar de preocupado com a especulação, não permite a atuação de forças do mercado que podem reduzi-la. Em segundo lugar, não existe um mercado futuro de ações, apesar de eles estarem falando em criá-lo. Se alguém acha que o mercado acionário está alto demais, não existe como tomar alguma atitude defensiva. Não há possibilidade de vender ações a descoberto e nem assumir uma posição vendida no mercado futuro. Além disso, os investidores chineses estão restritos ao seu próprio mercado não podendo investir no exterior. Todo o entusiasmo é canalizado ao próprio país.

 

Impacto em Outras Partes do Mundo

É uma situação instável e eu me preocupo com isso. Pode ter conseqüências além da China. No fim de fevereiro, o mercado chinês teve uma forte queda em um único dia, e isso teve repercussões em todo o mundo. Creio que a China é um centro de entusiasmo econômico instável, que pode afetar o restante do globo.

 

Índia e Brasil

Outro país extremamente especulativo é a Índia. Eu também acrescentaria o Brasil, onde o mercado tem sido também muito exuberante. Tem havido muito interesse dos investidores no Brasil por causa do mercado forte e da economia forte. As pessoas falam do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) e existe um interesse crescente dos investidores por esses países. 

 

Rússia

Os investidores internacionais estão preocupados com a instabilidade política, ou seja, o que Vladimir Putin, presidente, poderá fazer. Olhamos a petrolífera Yukos e perguntamos qual será o seu futuro. Estamos preocupados com a possibilidade de intervenção do governo na economia e na liberdade e na democracia. Vai haver uma eleição e isso cria incertezas.

 

Superaquecimento

Não estou otimista agora quanto há um ou dois anos atrás. Existem sinais de superaquecimento na Índia e na China, e poderá haver uma correção. Não estou entusiasmado em relação a eles. Suponho que haja menos problema no Brasil. Tenho impressão de que existe mais estabilidade.

 

Mercado Imobiliário nos EUA

Os preços estão caindo em todas as grandes cidades. Começou em meados de 2006 e está acelerando. É uma coisa que vejo com muita preocupação. Pode criar uma recessão e espalhar para outros países. Durante o boom imobiliário, nos EUA e creio que em outros países também, houve muitas pessoas que receberam empréstimos e não deveriam ter recebido. Agora, com os preços caindo, começamos a ver calotes, especialmente na categoria de alto risco.

 

Bolha de Tecnologia

Acredito que o boom do mercado imobiliário é um eco da bolha de tecnologia. As pessoas se tornaram investidores entusiasmados na década de 1990. Depois da queda do mercado acionário, elas voltaram suas atenções para o mercado imobiliário.

 

Bolhas Anteriores

Nos anos 80, houve um boom parecido no mercado imobiliário em vários países. Aquele boom não era grande quanto o atual, pois era restrito a poucas cidades. O boom da década de 80 terminou por volta de 1990, seguido de um período de cerca de cinco anos de queda suave nos preços. Agora, o boom é maior e poderá levar a quedas maiores por um período longo de anos.

 

Queda dos Preços dos Imóveis

Tenho uma empresa que produz o índice S&P Case-Shiller Home Prices, em conjunto com a agência de rating Standard & Poor’s.Temos um mercado futuro para dez cidades americanas na Bolsa de Chicago, que já prevê queda nos preços das casas para 2008, em todas essas cidades.

 

Impacto no Crescimento Econômico

A queda dos preços das casas reduz os gastos do consumidor, porque existe um efeito na riqueza. Até agora, os preços não caíram muito, então o consumo se manteve. Mas, enquanto os preços caem, podemos esperar algum declínio no consumo e isso vai contribuir para o enfraquecimento da economia. Há possibilidade deste quadro levar os EUA para uma recessão. 

 

 
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